A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...

segunda-feira, 5 de março de 2018

E o frio nos deixou...

Een door het ijs gezakte schaatser op de Prinsengracht wordt geholpen.
Amsterdam
Com o frio que fez, a gente perde até o rebolado para vir escrever.
Olha, acho que foram uns dez dias de frio intenso. Um vento gelado continental que soprava de lá da Rússia e deu para entender o porquê de Napoleão perder a guerra. Se aqui fez o frio que fez, nem quero saber como é passar o inverno na Rússia.
Tivemos paisagens dignas daqueles quadros pintados do século dezenove onde retratavam as pessoas patinando nas paisagens congeladas.
Canais, lagos e rios congelados e o povo conseguiu realizar o grande desejo de todos os anos: patinar no gelo. Claro que teve acidentes, óbvio, porque nem todo canal ou lago estava congelado o suficiente. Os bombeiros estiveram bem ocupados.
Mas passou, o sol brilhou e a temperatura subiu para a nossa alegria.
Marido aniversariou nos primeiros dias de Março e reunimos a família recém chegada de uma semana de férias escolares. Foram esquiar com a criançada.
Tivemos o primeiro domingo do mês de muito sol e a sobrinhada correu solta lá fora. Imagina que bateu 13 graus no sol.
E assim caminhamos, rumo para a tão esperada primavera!
Boa semana, pessoal!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A campainha

Pode parecer um comportamento totalmente antisocial e é mesmo: desligamos a nossa campainha.
Sabe, estava demais.
Outro dia cheguei a receber três pacotes, de uma vez, para diferentes vizinhos.
Já contei aqui a minha saga com certos entregadores.
A gente pensa no coitado do entregador, dele ter que voltar para fazer nova tentativa de entrega. Na camaradagem de receber um pacote para o seu vizinho e ver que cara ele tem quando vem buscar o seu pacote.
Mas eu me enchi. Não sou ponto de distribuição, não tenho nada a ver com o trabalho do entregador. A missão é dele e não minha.
A gota d'água se deu numa manhã, quando fazia o meu café. Eu prontinha, sossegada, louca para desfrutar do meu café da manhã quando toca a campainha. E sabe quando a campainha toca nervosa? - vocês já analisaram o toque da campainha, a intensidade quando é uma pessoa ou outra? Pois eu, sim! - e nervosa fiquei eu. 
E era o entregador para os meus vizinhos de porta. O detalhe é que os vizinhos estavam em casa. Aí eu me pergunto que se eles lá, que fizeram a compra, sabem que receberão um pacote, não estão nem aí, porque eu tenho que estar? Claro, eles sabem que o pacote vem parar aqui comigo. Muito cômodo. Me fiz de morta. Não abri. Não recebi pacote algum! E senti o gostinho prazeroso de ir à forra.
Para quê eu tenho que abrir a porta se não é assunto do meu interesse? E já viu campainha tocar numa hora boa? Não, é sempre numa hora imprópria! Sobe uma irritação.
E vocês pensam que o pessoal aqui abre a porta? Abre nada. Já reparei nisso. Ninguém tá nem aí.
Mas... justamente a vizinha folgada...bateu aqui...percebeu que a campainha não estava funcionando e me ligou no celular. De fato tínhamos saído.
Achei o cúmulo da insistência, pois não era nada de urgente. Ela apenas queria entregar uns pasteizinhos. Nessas horas eu penso: custa esperar a gente voltar e ver que estamos em casa? Eu não vou perseguir o meu vizinho porque ele não abriu a porta na hora que eu bati. Se queria entregar algo e não deu certo, azar o meu né e não o dela! Afinal ía sobrar mais pasteis para eles!
Eu sei, eu sei, ela só queria ser gentil, mas ligar no celular como quem precisa tirar o pai da forca...um pouco de exagero. Eu mesma já bati lá e ninguém veio abrir. Me descabelei, liguei atrás? Claro que não. Esperei por outra oportunidade.
Enfim...até segunda ordem, a campainha segue desligada.
Bom...agora entra uma semana de férias escolares...será uma semana tranquila para quem fica! Pelo menos, eu acho!
Boa férias para quem vai!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

É Carnaval!!!!

E aí, gente? Todo mundo pronto para cair na folia?
Aqui o Carnaval está a todo vapor. Comemorado principalmente nas províncias de maioria católica do Sul da Holanda, Limburg e Noord-Brabant. Tem desfiles, as pessoas se fantasiam e vão mesmo pra avenida!
Sem contar as marchinhas e já saiu a lista com as mais mais Top10. Tem até os vídeos de cada uma.
Eu ainda não vi todas, mas logo de cara apareceu esta aqui..."He Jacqueline, waar de is de vaseline!" ( Hei Jacqueline, onde está a vaselina?)...Nem sei o que pensar...😆😆😆
Hé Jacqueline! 
la la la la la la la la la la la la,
la la la la la la la la la la la.
la la la la la la la la la la la la,
la la la la la la la la la la. 


Ei Jacqueline, onde está a vaselina?
Ei Jacqueline, onde está esse potinho de gordura?
Ei Jacqueline, onde está a vaselina?
Onde você colocou o potinho?


O resto da letra é bem figurativa. Traduzindo literalmente, não faz sentido...é quase uma letra de funk! hahaha
Mas com o refrão vocês podem ter uma ideia, não? rs
E com vocês o grupo: "Mosterd na de maaltijd" ("Mostarda depois da refeição)
Bom Carnaval!!!

 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A sogra

Numa das vezes em que estivemos com a minha sogra, meu sogro me deu uma missão: comprar uma calça nova para a minha sogra, para o inverno.
Eu não sei que padrão ela adotou, mas ela usa as mesmas roupas todos os dias, as de verão. Não adianta confronta-la, ela não aceita. Meu sogro coloca estas roupas para lavar durante a noite, enquanto ela dorme. 
Minha sogra não é uma pessoa difícil. Ao contrário, está sempre disposta a sair, a fazer um passeio. Foi fácil dizer que eu queria ir ver as lojas. Ela topou na hora. O problema seria faze-la provar a calça.
Fui pensando no caminho os argumentos que eu deveria usar. Ela não quer comprar nada para ela. Diz que não precisa de nada, que já tem tudo.
Na primeira tentativa, eu disse que o meu sogro queria que ela comprasse uma calça nova. Ela ficou brava. Aquilo não era da conta dele. Quem decide o que ela tinha que vestir, era ela e não ele. Ainda tentei usar o argumento de que ela tinha emagrecido. Em vão.
(In) Felizmente ela se esquece rápido das coisas, mudei de assunto. Saímos de uma loja e caminhamos pela rua central.
No caminho, ela me perguntou o que eu queria comprar. Eu respondi que queria comprar uma calça. Entramos numa outra loja. Começamos a olhar e ela mesmo foi dizendo o que achava bonito. Sugeri que ela experimentasse as que ela tinha gostado. Ela me olhou desconfiada. Eu disse que tinha sido aniversário dela - e tinha sido mesmo - e que a gente (o filho dela) não tinha dado presente. A calça seria o nosso presente para ela. Pronto, outra tentativa frustrada. Ela disse que a gente não tinha que gastar o nosso dinheiro com ela.
Saímos da loja e ela se distraiu com o movimento da rua e outras vitrines. Dei um tempo.
Na rua um senhor, alemão, se aproximou de nós. Ele estava com a esposa. Uma senhora de olhar perdido. Ele se aproximou falando em alemão. Aliás, quando estou lá na cidade dos meus sogros, nas lojas, o povo se dirige a mim falando em alemão. E isso acontece quase sempre que ando por lá, pelo comércio.
Minha sogra, toda atenciosa, parou e começou a falar com este senhor, em alemão misturado com o holandês.
Ele queria saber onde era uma padaria/doceria muito tradicional da cidade. Enquanto minha sogra tentava se lembrar pra poder ajudá-lo, a mulher dele saiu andando, como se estivesse em estado de hipnose. Naquele instante, ele disse que precisava ir atrás dela, pois ela tinha Alzheimer. Vejam bem a situação!
Minha sogra ficou chocada em saber, lamentou, se solidarizou e disse a ele que talvez fosse bom achar outra mulher. E a mulher do senhor sumindo entre a multidão lá na rua e eles não paravam de falar. Neste momento, eu pensei no que eu deveria fazer, porque a situação era cômica para não dizer trágica. O que era aquilo? E agora? E se o senhor perdesse a mulher dele? E se a minha sogra cismasse de ir atrás da mulher também? Foram minutos de tensão para mim, claro. Puxei a minha sogra pelo braço e disse que a gente tinha que ir. O senhor se despediu e saiu correndo atrás da mulher dele.
Novamente minha sogra me perguntou para onde estávamos indo. Pensei rápido e disse que precisava comprar um presente para uma amiga que fazia aniversário. E disse que iria comprar uma calça.
Ela achou meio estranho. Como eu saberia o tamanho certo da pessoa? Foi aí que eu disse que a minha amiga tinha o mesmo tamanho dela e que se ela provasse a calça, se ficasse bom para ela, ficaria perfeito para a minha amiga.
E foi assim, gente, que eu consegui comprar uma calça nova para a minha sogra.
Se ela tem usado? Não. Apenas usou uma vez quando veio aqui em casa. Eu disse ao meu sogro para dizer a ela que era presente nosso e que ela deveria usar quando viesse aqui. Foi o que ele fez e ela assim concordou porque saberia que ia nos agradar.
Mas tem mais história para vir por aí.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Chove lá fora

E a vida segue, dentro de casa.
O rio no centro da cidade é atração garantida. Todo mundo querendo ver pois está às margens da avenida e da calçada, ou seja, próximo dos carros e mais ainda dos pedestres. É uma paisagem bonita.
O aniversário foi tranquilo. Pensei duas vezes este ano antes de comemorar com a família. 
Aniversário que cai bem no meio da semana. Pra mim, comemorar um fim de semana antes é muito cedo, no fim de semana depois, é muito tarde! hahaha
Meus sogros vieram no dia, meu marido pegou a tarde livre e almoçamos todos juntos em casa mesmo. Almoço, aliás, super simples: sopa de tomate!
Me animei e, para não passar em branco, fiz uma torta de limão. Receita da mãe da minha amiga que parece mágica! Juntou, lacrou e a torta ficou perfeita.
Rolou jantar fora, vai, num restaurante que há anos passamos na porta e nunca entramos. E quase que não rola, pois começou a chover bem na hora de sair. A gente fez um esforço pra deixar o sofá pra trás. Vamos pedir pizza? Não...Fim de carreira, né, pedir pizza! rs Desconfio que estamos ficando preguiçosos! rs
Aliado a isso, a minha cunhada também faz aniversário, no mesmo dia que eu!
Ela comemorou na sexta, antes. Uma amiga que mora com ela, vez ou outra - sim, cada vez que termina com um namorado - e não falo de adolescentes, falo de mulheres com os dois pés na casa dos 40 anos - organizou a festinha. Pediu para a mãe fazer tudo! Assim é fácil, né, gente?
E juntou a meia dúzia de amigas holandesas sem namorados que seguem a moda infanto juvenil, a mãe da amiga que fez os pestiscos, o namorado egípcio e demais familiares.
O duro foi entrar na casa. Quando abrimos a porta do hall da casa, nos deparamos com uma nuvem de fumaça. Parecia aqueles cabarés de filme! 
Não, a casa não estava pegando fogo. Era o povo fumando mesmo, com tudo fechado. Olha, minha vontade foi de voltar para trás. Eu só não me arrependi de uma coisa: de não ter tomado banho e nem ter lavado o cabelo! Mas as minhas roupas eram limpas. Ficaram empesteadas e, a uma hora da manhã, eu terminava meu banho e secava meu cabelo com o secador. Duro mesmo era o odor do cigarro no nariz. 
E o pior de tudo da festa da minha cunhada! NÃO TEVE BOLO.
Quem organiza uma festa de aniversário SEM BOLO?
E o que a minha cunhada ganhou de presente dasmigas? Uma furadeira! Sim, mulher holandesa, né, gente! hahaha
Tomara que ela não ponha as paredes abaixo fazendo tantos buracos.
Mas você tá aí, criticando a festa da sua cunhada e você mesmo nem fez nada?
Pois é...não.O que de certa forma foi bom, pois agora será um aniversário atrás do outro, principalmente na família. E temos os compromissos com a minha sogra. 
De qualquer forma, fazer aniversário é bom. Tirando o lado de ficar mais velha, receber atenção das pessoas queridas é bom.
Mais um ano...vamos em frente!